Alabaster Dawn: o novo action-RPG da Radical Fish brilha no Steam Deck
Alabaster Dawn, novo action-RPG da Radical Fish Games (CrossCode), chegou ao Steam em early access em 7 de maio de 2026. Jogamos no Steam Deck e contamos se a estreia já vale seus R$ 83,99.
Existe um tipo raro de early access: aquele que já chega mais polido do que muito jogo "completo". Depois de umas boas horas com Alabaster Dawn rodando no meu Steam Deck, deitado no sofá e ignorando solenemente o monitor da mesa, posso dizer que a Radical Fish Games entregou exatamente isso. O acesso antecipado começou em 7 de maio de 2026, cobre até a metade do capítulo 2 (algo entre 6 e 10 horas) e custa R$ 83,99 — e o veredito rápido é: se você gostou de CrossCode, pode ir sem medo.
O peso de suceder CrossCode
Antes de tudo, um esclarecimento que vale a pena: Alabaster Dawn é obra da Radical Fish Games, o estúdio alemão de CrossCode (2018) — não confunda com a Heart Machine, de Hyper Light Drifter, como eu mesmo já vi acontecer por aí graças à estética de action-RPG top-down estilizado. A confusão até faz sentido na superfície, mas a escola aqui é outra: enquanto Hyper Light Drifter aposta no minimalismo e no silêncio, a Radical Fish é maximalista — sistemas sobre sistemas, diálogos generosos e aquele combate de precisão milimétrica que fez CrossCode virar culto.
CrossCode levou sete anos para nascer e virou um dos indies mais queridos da década passada. A pergunta inevitável era: como superar isso? A resposta do estúdio foi construir uma engine nova do zero e mirar mais alto em tudo — escopo, animação, narrativa. O plano é ambicioso: sete capítulos, cerca de 40 horas no lançamento completo e pelo menos dois anos de early access pela frente. E a recepção diz muito: o jogo estreou no Steam com avaliação "extremamente positiva", na casa dos 96% entre mais de mil análises.
Tiran Sol, Nyx e uma Escolhida exilada
Você controla Juno, a "Escolhida Exilada", que desperta em Tiran Sol, um mundo devastado por uma corrupção chamada Nyx — uma sombra que retorceu tudo em um ermo e fez os próprios deuses desaparecerem. A missão é dupla: quebrar a maldição e guiar o renascimento da humanidade, reconstruindo assentamentos enquanto o mapa vai, literalmente, voltando à vida ao seu redor.
O que me fisgou não foi a premissa (salvar o mundo, ok, já vi), mas o jeito como a Radical Fish dosa as revelações. Há um mistério real sobre o passado de Juno e sobre o motivo do exílio dela, e o jogo tem paciência para deixar as perguntas respirarem. Os diálogos têm o mesmo charme de CrossCode — personagens que parecem gente, humor no ponto certo — mas as cinemáticas deram um salto evidente de produção. A comunidade resumiu bem: tudo de bom de CrossCode fez a travessia, com apresentação melhor e quebra-cabeças menos frustrantes.
Oito armas divinas e um combate que canta
O coração do jogo é o combate, e que coração. Juno equipa oito armas divinas — sempre em pares de corpo a corpo e à distância — que podem ser infundidas com um de quatro elementos. A dança é clara: ler o inimigo, acertar o parry perfeito, encher a barra de break e então despejar dano máximo na janela de vulnerabilidade. No papel parece o arroz com feijão do gênero; na mão, o timing responsivo e a janela de defesa generosa (mas não boba) fazem cada confronto ser rápido, agressivo e legível.
A progressão acompanha o ritmo: cada arma tem a própria árvore de habilidades, com combos que conversam entre tipos diferentes, e o sistema de gemas funciona como modificadores de status equipáveis, com direito a crafting. Tem ainda culinária para buffs — colher ingrediente vira um vício rapidinho — e um modo roguelike opcional para quem quiser rejogabilidade além da campanha. É muito sistema? É. Mas nada chega de uma vez, e no meio do capítulo 1 tudo já tinha clicado para mim.
Pixel art 2.5D com alma de animação
Visualmente, Alabaster Dawn é o pixel art mais vivo que joguei em anos. O truque está na animação: os personagens usam 16 ângulos direcionais em vez dos 8 tradicionais, com membros animados de forma independente. O resultado é um fluidez estranha de tão boa — Juno gira, desliza e ataca com uma naturalidade que a gente simplesmente não espera desse estilo. O terreno em múltiplas camadas, herança direta de CrossCode, dá verticalidade real à exploração, e a paleta contida-porém-vibrante faz o mundo corrompido por Nyx parecer melancólico sem ser cinza.
Uma trilha que abraça o mundo
A trilha sonora segue a cartilha de fantasia dos grandes RPGs, alternando temas contemplativos nas áreas devastadas com faixas que aceleram junto do combate. No fone do Steam Deck, o design de som é o destaque: cada golpe, parry e quebra de postura tem um estalo tátil que retroalimenta o combate — metade da satisfação de acertar um parry perfeito vem do áudio. Não é (ainda) uma trilha que vou ouvir fora do jogo como fazia com CrossCode, mas dentro dele funciona lindamente, e há muito jogo pela frente para o repertório crescer.
No Steam Deck: encaixe de luva
Agora, o motivo de eu ter jogado tudo isso deitado: a experiência no Steam Deck é excelente. Joguei a versão de PC via Steam no Deck OLED, e o jogo — que tem inclusive suporte nativo a Linux — rodou liso do início ao fim: taxa de quadros estável, sem soluços perceptíveis nem nas lutas mais cheias de efeito, e carregamentos rápidos que impressionam para um early access. Não precisei tocar em nada: as configurações padrão já entregam performance estável no portátil.
Por ser um jogo 2.5D leve, a bateria agradece: minhas sessões ficaram confortavelmente na casa das 4 horas ou mais por carga, com brilho moderado. A interface e os textos são perfeitamente legíveis na tela de 7 polegadas — nada de fontes microscópicas — e os controles nasceram para gamepad. Não fui só eu: a comunidade tem repetido que o jogo "roda ótimo no Steam Deck, parece um encaixe natural", e assino embaixo. Se o Deck é sua plataforma principal, este é daqueles casos em que o portátil é, talvez, o melhor lugar para jogar.